■ Prólogo Um SONHO distante que foi ■struído
◆◆◆
Eu
tenho um sonho.
Um sonho
onde alguém está puxando a MINHA mão.
Uma mulher
está sorrindo e dizendo “Me desculpa”.
Um homem
está me olhando feio e dizendo “Você não tem o direito de ter raiva da gente”.
Estava
nevando muito.
Fazia muito,
muito frio.
Desde aquele
dia, EU estou sempre, sempre sozinha.
◆
Pelo
que o 〝SENSEI〟 disse, a MINHA casa era muito pobre.
O homem
pegou muito dinheiro emprestado, não conseguiu pagar, e ME vendeu.
Quando EU
perguntei: “Foi porque EU era filha do outro homem?”, o SENSEI disse o seguinte:
「Não é isso. É porque você é uma criança especial.」
EU sou uma
criança que ninguém quer? Ou sou uma criança que tem permissão para existir?
◆
A 〝INSTALAÇÃO〟 era um
lugar que juntava pessoas vendidas que nem EU para fazer 〝EXPERIMENTOS〟.
Eles davam
comida pra gente e deixavam a gente tomar banho.
Mas, deram
um monte de injeção. Fizeram a gente assistir a um monte de vídeos
assustadores.
Os vídeos
assustadores davam muito medo, e teve criança que ■rreu por causa disso.
Aqui, as
pessoas ■rrem com frequência.
Tem criança
que ■rre porque não aguenta os remédios, e
tem criança que é m■rta porque tira notas ruins nos testes.
No começo,
todo mundo chorava bem alto.
Mas ninguém
veio ajudar a gente.
As crianças
que continuavam chorando eram transformadas em bonecas.
Aí, todo
mundo parou de chorar.
◆
Zzzzzp,
dói muito.
Eu não quero
ficar presa dentro da água gelada.
No 〝CURRÍCULO〟, fui
obrigada a fazer bullying com alguém.
Como
recusei, EU fui NOMEADA para ser a pessoa que sofre o bullying pra sempre.
◆
A
gente fez um teste para se tornar uma “Filha”.
Muitas
meninas foram obrigadas a fazer várias coisas durante um longo, longo tempo.
Todo mundo
se m■tou.
EU fiquei
com medo, então fugi com todas as minhas forças.
Eu sabia
mais ou menos quem estava onde. Eu não faço a menor ideia do porquê eu sabia.
Mas sempre foi assim desde muito tempo atrás.
Onde alguém
está lá longe, ou a sensação de que algo assustador está vindo... EU consigo
ver esse tipo de coisa.
Não com os
olhos, mas algo pisca lá no fundo da minha cabeça e me conta.
O SENSEI
chamou essa “coisa que me faz saber” de “Telepatia INATA”. Eu não faço ideia do
que seja isso, mas usando essa “coisa que me faz saber”, não foi tão difícil me
esconder e fugir.
Mas, era
muito doloroso ver de longe todo mundo se m■tando. Eu pedi desculpas várias e
várias vezes num quarto sem ninguém.
Me desculpa.
Me desculpa por não conseguir ajudar vocês.
Me desculpa
por só fugir.
Me desculpa
por ser uma criança fraca e covarde.
Me desculpa.
Me desculpa. Me desculpa. Me desculpa.
◆
No
final, elas acabaram umas com as outras.
Todo mundo m■rreu.
Só EU, que
estava escondida, sobrevivi.
Os SENSEIS
disseram.
「Parabéns, ────. Você foi aprovada. Você se tornou
oficialmente uma criança verdadeiramente especial.」
Por
que EU, que só fiquei fugindo, sou especial?
Aquelas
crianças m■rreram
porque não eram especiais?
Eu não
entendia. Não entendia nada. Sem entender nada, fui levada embora.
Fui levada
para um lugar muito, muito escuro.
◆
O
lugar escuro estava cheio de coisas assustadoras.
As crianças
que m■rreram ficaram com raiva de MIM,
dizendo que a culpa era minha.
Fui devorada
várias e várias vezes por um grande monstro.
Sonho?
Ilusão? Quando eu abria os olhos, tudo tinha voltado ao normal, e eu era
atacada de novo por fantasmas e monstros.
Foi o
EXPERIMENTO mais doloroso até agora.
Dava tanto
medo, doía tanto e eu me sentia tão sozinha, que
Pensei que
preferia logo m■rrer.
Mas a fraca
EU não conseguia sequer se m■tar, e então
〝Pobrezinha〟
E
então EU
〝É doloroso ficar sozinha? Quer que
alguém te proteja?〟
Para
aquela voz, eu
〝Nesse caso, a partir de hoje você
deve se tornar minha filha. Assim, você será protegida pelo resto da vida〟
Acabei
dando ouvidos────
◆
〝Em troca, vou ficar com as suas ■■. Não se preocupe, não vou
devorá-las. Só vou guardar e administrar. Fique tranquila, Jupiter. Você pode
simplesmente ■squecer
todas as ■■
dolorosas. Você tem a mim. Só eu sou o seu aliado. Vamos, faça o contrato〟
◆
E
assim, EU passei a ser chamada de Jupiter, a Contratante de 『Keraunos』.
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