■ Capítulo 8: Dança Tempestuosa da Lâmina do Dragão

 

 

 

Mais doce que a paixão, mais profundo que o amor, eu anseio ardentemente por ele.

 

◆◆Cidade de Dungeon Ouka Dungeon Número Trezentos e Trinta e Seis Tokoyami Andar Final Castelo do Rei Dragão Maligno: Usuária da Arte da Espada Aono Haruka

 

Vence, Haruka, acaba com um cara desses facinho com a sua espada!

A voz dele ecoa nos meus ouvidos. Um timbre estranho onde um som de súplica e um som de sofrimento se misturavam.

(Tão fofo, fala sério)

Provavelmente, ele deve estar envergonhado de si mesmo por estar gritando expectativas tão egoístas. Ele, que odeia impor as coisas aos outros, sente que até mesmo torcer por alguém é arrogância ─── é um jeito muito desajeitado e difícil de viver.

Mas a Haruka gostava desse lado dele também.

(Eu entendo mais ou menos o motivo de você sentir culpa, Kyou-san)

A expectativa, de certa forma, é uma maldição. Desejar que o outro seja de um certo jeito e impor isso de forma irresponsável... o número de pessoas que sentem isso como um fardo é surpreendentemente grande.

A própria Haruka era uma dessas pessoas. No caso dela, como ela era do tipo que acabava conseguindo fazer as coisas, as expectativas ao seu redor também eram absurdas e houve vezes em que ela quase foi esmagada pela pressão.

Mas, mesmo assim, como ela acabava conseguindo no final, as expectativas ao seu redor aumentavam ainda mais, e quando ela correspondia a essas expectativas, como se fosse o natural, vinha a próxima, a próxima, a próxima...

(É um ciclo estéril, fala sério)

Quem deposita a expectativa está sempre tranquilo. Cria expectativas sem nem pensar nos sentimentos de quem as recebe, e se forem realizadas pede mais, se não forem, faz cara de vítima dizendo que foi traído.

Inocente, puro e, por isso mesmo, cruel.

Para ela, que desde que nasceu continuou correspondendo às expectativas, isso já é algo tão corriqueiro que pode ser descartado com um simples “Né, que egoísmo”, mas, pensando bem, com certeza é um problema com um carma bem pesado.

(Mas sabe, Kyou-san. A sua expectativa é diferente)

Não é de nenhuma outra pessoa, é o desejo vindo do único “você" no mundo inteiro. Isso é imensamente reconfortante, maravilhoso, e era um estímulo que lhe dava mais coragem do que qualquer palavra bonita.

Uhum, eu não vou perder

Não perca.

Se é isso que você deseja, eu venço qualquer um

Não perca!

Diga quantas vezes quiser. Deseje o quanto quiser. Com as suas palavras, eu posso voar até onde for!

Enchendo o coração com uma indescritível sensação de plenitude, a espadachim de talento inato brande a sua lâmina. Com exceção do ponto fatal de que a lâmina não passa pelo corpo do inimigo, a situação não é tão ruim assim. Em meio ao ataque e defesa que ultrapassavam os mil golpes por segundo, a Haruka já havia compreendido a maior parte da trajetória da espada do Rei Dragão Maligno.

(A força física dele é incrível. Se eu tomar um golpe que seja, vou ser partida ao meio facinho)

Reconhecendo a situação atual corretamente dessa forma, ela continua se esquivando dos ataques ferozes do Zahhak com um sorriso radiante.

Ah, achei uma brecha

Deslizando para debaixo das pernas do Rei Dragão Maligno daquele jeito para dar uma estocada tripla ─── que serviu de isca para um saque rápido aéreo (Iai) de uma cópia da Soukyuu ─── que também foi um blefe para um corte transversal a partir de uma invocação nova em folha.

(Hit. Mas como eu esperava, ela se parte)

Observando calmamente a Soukyuu recém-invocada quebrar novamente, a Haruka recuou apenas alguns passos.

(Achei que eu tava batendo até que bem rápido, nyaa. Uun, que duro)

Ao que parece, se chamam Escamas de Dragão.

Físico ou arte espiritual, a defesa da Armadura Natural, que possui forte resistência a qualquer tipo de dano, é uma verdadeira muralha de ferro. Atualmente, não é exagero dizer que todas as nossas cartas na manga estão num estado de selamento.

(Bem, a falta de opções de ataque parece ser o mesmo para os dois lados, né)

Em meio a dezenas de milhares de golpes de espada, a Haruka já estava a ponto de dominar a arte da espada do Rei Dragão Maligno.

Os padrões de ataque, como ele constrói as combinações, os vícios característicos do trabalho de pernas, a relação entre a força espiritual e a respiração... Observando tudo isso minuciosamente e cruzando com a sua própria regra empírica de experiência, a Haruka consegue fazer com que a maioria das artes de espadas se torne sua.

E quanto mais essa compreensão se aprofunda, mais a sua arte marcial de contra(Anti-Martial)-ataque(Art) vai se refinando.

(Afinal, oportunidades de aprender a espada da raça dos dragões são raras. Já que estamos aqui, vou pedir pra você me acompanhar mais um pouquinho)

Pegando uma cópia da Soukyuu com uma das mãos, ela forma um estilo de duas espadas improvisado. Chutando o chão com leveza, ela avança para cortar o Zahhak pela frente.

Em resposta, o Rei Dragão Maligno assume uma postura de interceptação girando as suas duas espadas gigantes (Oodachi) de forma irregular. De um instante de estática para um movimento explosivo. Ambos desferem um combo de duzentos e cinquenta e seis golpes tendo um corte diagonal da esquerda como ponto de partida, tocando juntos um rondó de espadas. O modelo do combo que serve de base é idêntico. Em termos de força física e alcance, o Rei Dragão Maligno é esmagadoramente superior.

Uhum, esse jeito aqui é bem mais fácil de usar mesmo

Contudo, o resultado dessa troca de golpes chegou ao fim com a lâmina da Haruka perfurando o peito direito do Rei Dragão Maligno umas duas vezes. Apesar do dano ter sido nulo graças à proteção das Escamas de Dragão, o Zahhak foi derrotado pela imitação de uma humana fraca.

Por quê?

O repertório do modelo base é interessante, mas tem um desperdício nas variações derivadas, sabe. Eu entendo que fica mais bonito se você alinhar em 16x16, mas por causa disso acaba dando uma distorção sutil a cada múltiplo de noventa e seis vezes. Por isso, se a gente der uma melhorada nessa parte, acho que essa belezinha vai virar uma técnica muito melhor!

A imitadora transmite detalhadamente e com todo o cuidado os pontos de melhoria do original. Não, a esta altura do campeonato, o grau de compreensão sobre a referida espada já estava a favor da garota.

Isso mesmo. Este é o verdadeiro valor da Aono Haruka.

Copiando a técnica de espada do oponente com uma capacidade de observação e análise excepcionais, e adicionando a sua própria experiência e inspiração, ela a sublima para uma técnica de compatibilidade superior, mais poderosa e refinada; esse é o Ultimate(Extremo da Técnica) Imitation( de Imitação).

O gênio da evolução não tem limites. Se ela a empunhar, até mesmo uma espada de bambu se transforma em uma espada célebre, e se ela a brandir, qualquer espada alcança o nível de uma técnica secreta (Ougi). É o ideal de todo espadachim e, ao mesmo tempo, o desespero que rouba a razão de existir de todos os artistas marciais.

Por isso, aqueles que conhecem a espada a chamam assim, com um sentimento de reverência.

Pois bem, pode vir com tudo. Se eu vou cortar ou se você vai quebrar, seja qual for o resultado, sem ressentimentos, por favor

Maga da espada e feiticeira ─── ou seja, Usuária de Arte da Espada.

…………

Um passo, e mais um passo, os pés do Rei Dragão Maligno vão se distanciando da Haruka. Esses passos devem ter tido vários significados. Reconstrução da tática. Carregamento (Charge) para uma técnica grande. Ou talvez a intenção fosse provocar a investida da garota ao criar distância de propósito, para então lançar um contra(Coun)-ataque(ter) poderoso.

Mas, a realidade é que o Zahhak recuou. Recuou diante de uma garota que sequer consegue fazer com que uma lâmina penetre no seu corpo.

Mesmo levando vantagem em força física, força espiritual e até mesmo em alcance, ele sofreu uma derrota completa num único ponto: a pura habilidade técnica.

Como alguém que empunha uma espada, não há nada tão humilhante quanto isso. Além do mais, ele testemunhou o momento em que a técnica original que ele mesmo criou foi transformada em uma técnica superior pelas mãos de uma completa estranha.

Choque. Ciúmes. Fúria. Sensação de vazio.

Se fosse um portador de uma mente comum, ele teria sido atormentado por essas fortes emoções negativas e impulsivamente quebrado a sua lâmina.

…………

Mas, o Rei Dragão Maligno manteve a calma.

Mesmo presenciando o momento em que a arte de espada de um dragão foi derrotada por uma humana, ele ainda assim se distancia sem desfazer a expressão. Naquele seu rosto bonito, não há sinais de loucura. Nem raiva, nem lamento, nem impaciência, nem alegria; não há absolutamente nada, apenas um vasto “nada” estava colado ali.

Sim. Essa é a anormalidade do Zahhak. A magnitude de um Rei que aceita qualquer fenômeno exatamente como ele é.

O Rei dos Dragões Malignos não se abala. Engolindo a derrota e a humilhação de forma apática como sendo apenas mais um elemento, esse seu jeito de ser, buscando mecanicamente a solução(Optimum) ideal(Solution) para o seu objetivo, é a de um verdadeiro monstro.

Não, muito mais que isso.

Uau

O Zahhak balança a espada gigante de forma apática, sem sequer mover uma sobrancelha. O que ele desfere é o combo de duzentos e cinquenta e seis golpes tendo um corte diagonal como ponto de partida. Em resposta, a Haruka também o confronta com a forma aprimorada adicionando o seu próprio arranjo, no entanto,

Até eu fiquei surpresa com essa, nya

Desta vez, foi um empate. As lâminas de ambos pararam no ducentésimo quinquagésimo sexto golpe sem tocar o corpo do inimigo.

Ele, o Rei Dragão Maligno, imitou de volta a sua própria esgrima que a Haruka havia imitado e melhorado, exatamente da mesma forma.

Um aluno bem obediente e com muito talento, nyaa!

Ela achou que estava provocando, mas a provocação foi devolvida. Absorvendo avidamente a técnica de espada que lhe foi roubada, aceitando instantaneamente o plano de melhoria e reproduzindo-o num piscar de olhos; um Espírito(Mental) e Técnica(Technique) de Espada inabaláveis.

(Isso com certeza é uma ”Anomalia”, né)

Não há mais margem para dúvidas. O Zahhak é um monstro com habilidades de combate que fogem completamente do escopo de uma Dungeon de classe média.

A Haruka não tem como saber as circunstâncias de como eles se tornaram os Guardiões Finais de Tokoyami, mas mesmo ela não tinha objeções ao fato de que esses indivíduos fortes eram existências que não pertenciam àquele lugar.

”Anomalia”.

Entre os aventureiros, é uma gíria que se refere a um Boss que possui um poder poderoso e desproporcional à escala da Dungeon.

Zahhak e os outros são o típico exemplo de uma ”Anomalia”.

Sopro, arte de espada, meteoros, geração de Tokens, Escamas de Dragão, Fórmula Mágica de Colapso Mundial, e ainda transformação e invocação de familiares ── possuindo uma enorme variedade de habilidades, cada uma com um nível de ameaça que não pode ser ignorado; o monstro dos monstros.

Em meio ao ataque e defesa que se cruzavam, a Haruka moveu a cabeça de um lado para o outro e observou o campo de batalha inteiro.

──À direita, o General Dragão Maligno da Direita (Dolgwant), que perfurava o espaço com uma lança roxo-escura. Para derrotar precocemente o general da raça dos dragões que atuou como sósia do Rei Dragão Maligno, ele corre pelo labirinto enquanto empunha a Eckesachs e a Laevateinn alternadamente.

──À esquerda, o inigualável General Dragão Maligno da Esquerda (Beivalasp), equipado com armas de formatos diferentes em seus seis braços. Com um corpo que ultrapassa os cinco metros e uma fortaleza de músculos anormais que incharam como o tronco de uma árvore gigante de mil anos, ele desfere técnicas de armas, artes espirituais e técnicas de manipulação de dragões. O Cavaleiro Negro que enfrenta sozinho, de forma serena, o general feroz que matou dez mil homens e alcançou o ápice tanto na versatilidade quanto na especialização, também era um monstro. As inúmeras Regalias(Revelações Divinas) se chocando com as artes de destruição do general feroz.

Tanto aliados quanto inimigos, nenhum deles tinha margem para intervir nos outros campos de batalha.

Portanto, a Haruka não tinha outra escolha a não ser sobreviver a essa batalha sozinha.

(Todo mundo tá se esforçando, né)

O braço direito do Rei Dragão Maligno aponta para os céus. O brilho de um desastre natural se abrindo. Uma chuva de estrelas cadentes a cair.

Que aquilo era a Arte Espiritual de Invocação(Meteo) de Meteoros(Impact) originária do Azi Dahaka, era mais claro do que ver o fogo. De uma simples disputa de espadas, o campo de batalha do Rei Dragão Maligno sofre uma transformação repentina para uma Forma(Hard) de dificuldade(Mode) ainda maior.

Tempestade gravitacional. Invocação de meteoros. Geração de Tokens de pequeno porte. Provavelmente, se ele quisesse, seria possível até mesmo a reprodução daquela Khvarenah(Estrela das Trevas).

(Além dos meus ataques não passarem, os ataques dele são morte instantânea. Pra piorar, se eu der a mínima brecha, ele manda uma arte espiritual de grande porte do Modo Dragão. Uun, que tremenda Dificuldade(Very) Extrema(Hard))

A única parte em que ela está ganhando é no Level de Habilidade de espada, mas a diferença não é algo tão distante a ponto de ser um reino à parte. Não apenas pela habilidade do próprio Rei Dragão Maligno, mas a sua ganância quase niilista de “se for uma técnica excelente, não hesito em incorporá-la, mesmo que seja uma imitação”, estava colocando um freio na fuga técnica da Haruka.

A situação de impasse ou disputa equilibrada, no fim das contas, não muda a desvantagem para o lado da Haruka. Quem vai ficar sem vigor e força espiritual primeiro, sem dúvida, é ela. Por outro lado, do lado do Rei Dragão Maligno, se ele continuar a trocar golpes de espada de forma esquiva, a chance de vitória certamente virá em algum momento.

Um aperto que se aproxima lentamente, como se estivessem estrangulando o pescoço dela com seda. Uma situação desesperadora onde, se não ultrapassar os próprios limites agora mesmo, Aono Haruka encontrará o seu fim. Contudo,

(Que bom, isso é empolgante demais)

Isso era um prazer irresistível para a garota. Um duelo um contra um com um inimigo formidável de poder esmagador ─── ela havia se tornado uma aventureira justamente para encontrar um desenrolar de Empolgação Wakuwaku assim.

Transformando todo o medo e ansiedade na sua própria Empolgação Wakuwaku, a maior obra-prima da prestigiada família Aono avança.

Para a frente, para a frente, apenas para a frente.

No instante em que ela reajustou a empunhadura da katana, sentindo uma enorme gratidão pelos seus amados companheiros que a mandaram com um “Vai lá" alegremente depois de compreenderem a sua personalidade,

( Ele veio)

Os pés do Zahhak pararam de repente.

Coração acelerado. Consciência apressada. O coração da garota dá pulinhos de alegria com a tensão peculiar que só se pode saborear no meio do campo de batalha.

…………

Junto com o som metálico de um Clang, as duas espadas gigantes (Oodachi) foram erguidas alto em direção aos céus.

Um movimento de combate transbordando selvageria, de um gosto diferente da beleza refinada de até agora. De um espadachim para um dragão. Da força marcial para a violência. O momento em que o tempo de comparar habilidades de forma empolgante chegou ao fim e o massacre unilateral pelo Rei Dragão Maligno iria começar, a Haruka sentiu na pele. Ah, e exatamente por isso,

(Pode vir……!)

A usuária de arte de espada do talento natural, acompanhada por seis Soukyuu dançando no ar, por sua vez, avança para cortar o Rei Dragão Maligno. Um ataque frontal sem truques baratos. O trabalho de pernas que avança é leve como uma brisa de primavera e feroz como um redemoinho.

…………

O Rei dos Dragões Malignos em resposta, enquanto exala uma força espiritual preta e roxa, balança a sua lâmina.

As duas espadas gigantes (Oodachi) que perfuram os céus. Um golpe descendente movido não por técnica, mas carregando as capacidades físicas brutas de um dragão sem o menor disfarce. A força espiritual que as envolve é majestosa e sinistra, e, se você sequer roçar nela, seria derretido por aquele calor num instante.

Mas não há como um golpe movido apenas pela força bruta atingir a Haruka.

A garota amada pela espada se esquiva do golpe descendente do Rei Dragão Maligno, agora encarnação da violência, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e então──

!?

A terra, rachou.

O chão cor de violeta se partiu em fendas e foi escavado, tendo como centro o ponto de impacto do corte.

(Não é só isso, o que é isso……!)

Enquanto realizava um mortal para trás acrobático no ar para tentar recuar para o flanco esquerdo do Zahhak, a Haruka viu aquele momento com clareza.

Uma torrente roxo-escura correndo pelo chão esburacado. Escavando a terra e espalhando poeira, a verdadeira identidade daquele misterioso fenômeno de destruição é provavelmente um ataque cortante. O ataque cortante está, se propagando.

(Golpe à distância? Não, não é uma técnica tão avançada assim. O princípio deve ser bem mais simples)

Um “ataque cortante voador” desferido por Zahhak que teve tanto a sua força espiritual quanto as suas habilidades seladas. ───Para se aproximar um passo que seja de desvendar a verdadeira identidade daquilo, a Haruka disparou simultaneamente as cópias da Soukyuu.

Som de destruição ensurdecedor. Mais miséria é gravada na terra cor de violeta.

Mas o Zahhak continuou o seu ataque sem dar a mínima para isso. Sem se importar de não estar acompanhando a dança das espadas, ele continua a golpear apaticamente com as duas espadas gigantes (Oodachi).

A Haruka as repelia sem dificuldade, e o Rei Dragão Maligno do outro lado permanecia completamente ileso.

Sem alcançar, sem passar.

À primeira vista, o combate dos dois parecia ter recaído num desenrolar que não passava de uma repetição do ataque e defesa anteriores, contudo, na realidade, a Haruka estava sofrendo muito.

(Em vez de defender, ele nem tenta se esquivar. Pois é, isso sim que é o normal)

Pensando bem, o que ele fazia até agora era anormal.

Continuar a defender honestamente uma lâmina que não consegue penetrar a sua própria carapaça, o Rei Dragão Maligno que estava empolgado em lutar usando apenas uma única técnica de espada.

Ali talvez existisse o seu próprio orgulho como artista marcial, mas também se pode interpretar que, no momento em que ele combinava a sua forma de lutar com a da oponente, ele tinha folga sobrando.

(Acho que entendi o motivo de você ter escolhido essa opção)

Para resumir, ele descartou a brincadeira.

Jogando fora as técnicas que acumulou por longos anos, ele consegue descartar o orgulho e a obsessão por elas.

Afinal de contas, porque assim é mais forte.

Mesmo que a espada do oponente acerte, não tem sentido se não fizer efeito, e por mais que lhe falte beleza, contanto que o seu ataque acerte o inimigo, ele vence.

Carne impenetrável e o poder da raça dos dragões.

Afinal de contas, ele só precisa dessas duas coisas.

Verdadeiramente a encarnação da violência. Negando até mesmo as suas próprias técnicas (Skills), ele é um utilitarista que busca apenas a vitória.

A Haruka achou que não tinha o direito de rotular esse jeito de ser como bom ou mau, mas pelo menos era um tipo de oponente que não combinava nem um pouco com ela, que dava valor ao processo.

(A verdadeira identidade do “ataque cortante voador”, provavelmente não tem grande coisa por trás. Não é uma técnica, nem uma habilidade, é um “Algo” lançado apenas confiando na força bruta através das espadas gigantes (Oodachi). ──Se a gente descrever como um Dragon(Sopro de) Breath(Dragão ) irregular, talvez soe mais bonito, mas no fim das contas, não passa de um subproduto de um fenômeno biológico. É pura “Força”)

Ei, você acha isso divertido?

…………

À pergunta da garota, o Zahhak não responde.

Permanecendo calado, ele apenas brande a violência de forma fria.

Golpe. Golpe. Golpe. Golpe. Golpe. Golpe. Golpe. Golpe.

Sem se esquivar, sem defender, o Rei dos Dragões Malignos apenas espalha o poder da destruição mecanicamente.

Correndo sem parar pela terra que ia sendo cortada e rasgada, a garota continuava a procurar desesperadamente por uma forma de quebrar aquele impasse.

(Já que o chão tá tomando dano, tem um limite pra ficar só desviando. Mas também, se eu recuar agora, o fardo vai cair em cima do Kyou-san e Ojisama. ……Uun, o que eu faço. Recuar até o campo de batalha deles ali e forçar uma luta em grupo de um jeito não-irracional? Ficar sugando os recursos do inimigo o quanto der e, quando der ruim de vez, juntar com o pessoal num vale-tudo. Com certeza essa seria a tática mais realista e sólida, né)

Seja como for, contanto que consigam vencer no final parando esse X1(Um contra um) pseudocriado, estaria ótimo.

Pelo contrário, se formos considerar as mecânicas cruéis que o Rei Dragão Maligno possui, pode-se até dizer que a opção mais segura é se juntar rapidamente com eles e resolver a situação com os inimigos do lado de lá primeiro.

Ah, mas mesmo assim.

(Não seria empolgante, nyaa. Ficar só aguentando não faz o meu estilo, e mais do que tudo, seria meio chato eu não conseguir encaixar um golpe sequer num cara desses)

Mesmo que a essência de lutar para vencer ── mesmo que seja um trabalho idiota e sem sentido de apenas ficar balançando um pedaço de pau de metal, a Haruka amava a espada a ponto de querer protestar contra uma existência que era feita de pura “Força”.

Lá existem milhares de anos de história da humanidade, existe a lógica, existe o ideal.

Para resistir à violência irracional, o ser humano poliu as artes marciais.

Sendo uma das pessoas que está na vanguarda dessa nobre fraqueza, a Haruka tem que enfrentar aquele homem que é quase como a própria personificação da violência.

Mais do que tudo......

(A gente acabou levando um “Vocês não passam de perdedores” na cara, né)

Se ela fugisse de volta para casa sem conseguir arrancar nem mesmo um único ferimento de um inimigo que apelou para a violência descartando as artes marciais como se fossem papel higiênico usado, isso seria, sem dúvida alguma, uma derrota do Caminho da Espada.

Mesmo que, com a força de todos, eles conseguissem derrotar o Rei Dragão Maligno, ela não conseguiria ficar sinceramente feliz com a vitória fazendo um papelão desses.

Por isso.

Vamos lá! Futsunomitama !

Como se respondessem ao chamado da garota, seis Soukyuu flutuam no ar.

A investida a partir do recarregamento.

Pulando rapidamente sobre a terra estilhaçada, ela atravessou a tempestade furiosa de cor roxo-escura.

Haaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

A enviada da espada não desiste.

Mesmo que a lâmina se quebre, mesmo que a morte passe frente a ela, ela avança sem se importar.

Cortando, esquivando, voando, golpeando, correndo, batendo, defendendo, enganando, perseguindo, manipulando.

Desferindo toda e qualquer Ougi(técnica secreta), cruzando e cruzando a linha da morte repetidas vezes, e o que estava à frente disso───────

 

???

 

………Eh?

O que a aguardava lá era um espaço desconhecido.

 

 


 

 

 


Voltar|Menu Inicial|Proximo

 


Comentários