■ Prelúdio do Materialista (Arco da Ruína no Gacha da Garota)

 

 

 

◆◆◆ Família Shimizu – Sala de Estar

 

A Jupiter comprou um smartphone. Um “aparelho de verdade” que ela pode usar como Shimizu Jupiter.

Não é um terminal de comunicação de uso comum do Clan, mas sim um console móvel sem restrições que ela pode usar livremente na sua vida privada.

Como um presente de bênção da tia Ayaka para a garota que subjugou a Fera do Trovão Negro e orgulhosamente se tornou Shimizu Jupiter, ela ficou o dia todo mexendo naquele terminal prateado com um rosto feliz.

O smartphone é incrível. DÁ PRA FAZER DE TUDO.

A Garota do Trovão Negro ia fazendo Tap & Flick (tocar e deslizar) na tela de cristal líquido do smartphone com um movimento de dedos tão elegante que nem parecia ser a sua primeira vez. Achei que essa alta capacidade de adaptação para dispositivos digitais em geral é, como esperado, típica das crianças de hoje.

Até porque a Al fica apertando os botões com o dedo indicador dizendo coisas como “Qual a diferença pro Piko Piko (videogame antigo)?”.

Tem vezes que a AL-NEE parece uma vovozinha, né.

Nunca diga isso na frente dela, tá? Você vai passar por maus bocados.

Principalmente eu! Consigo ver claramente a cena de eu sendo chutado de forma irracional com ela dizendo que a responsabilidade pela falta de supervisão é minha.

Deixando isso de lado ────

Ei, Jupiter. Já que você finalmente tem um smartphone, vamos jogar um jogo, um jogo.

! EU vou jogar!

O tempo que passei ensinando o chamado aplicativo de “Social Game” para a minha prima postiça, que assentia repetidas vezes com os olhos brilhando, foi muito divertido.

Afinal, a Jupiter, que sofreu várias restrições por causa do Keraunos, finalmente pôde jogar livremente. Dá vontade de ensinar as coisas divertidas, não dá? Dá vontade de compartilhar os momentos felizes, não dá?

Dá pra usar a internet e também dá pra jogar. O smartphone é incrível, né.

Pensando bem, com certeza é isso mesmo.

Foi um tempo feliz. Nós dois compartilhávamos amigavelmente um tempo gentil e insubstituível, tão pacífico e bucólico, sem um único elemento de tensão, a ponto de eu acabar pensando, de um jeito que não combina comigo, que seria bom se esse tempo durasse para sempre.

...Tem algo errado.

As coisas começaram a ficar tensas depois que a Jupiter começou a se acostumar em como jogar o Social Game.

EU ME esforcei tanto pra juntar as pedras, mas o Gacha não dropa de jeito nenhum. Só vem lixo...

Gacha. Esse é um “serviço de jogo” que, se for um aplicativo de jogo imperial essencialmente gratuito, você terá uma alta probabilidade de encontrar.

É um serviço frequentemente chamado de Gacha de forma geral, devido ao fato de que se pode obter itens e personagens aleatoriamente ao consumir uma certa quantidade da moeda do jogo, e o seu formato de venda ser parecido com as máquinas de cápsulas de brinquedo “Gacha-Gacha”.

Nos Social Games, que são essencialmente gratuitos e podem ser jogados sem pagar dinheiro, o Gacha é a maior máquina de arrecadação de dinheiro e, ao mesmo tempo, a diversão de mais alto nível para os clientes.

Mas essa parada é muito traiçoeira; devido à conveniência de seu formato de vendas ser um sorteio de probabilidades, acaba inevitavelmente incluindo elementos de apostas.

Em suma, enquanto um cara sortudo consegue facilmente o item ou personagem que deseja, uma pessoa azarada, mesmo rodando dezenas ou centenas de vezes, não consegue o que quer e passa por momentos dolorosos.

E a Jupiter era uma pessoa do segundo grupo.

Usando a moeda que juntou ao avançar no jogo com muito esforço, ela rodou o Gacha onde a sua personagem favorita aparece ── o social gama que a Jupiter está jogando era um novo aplicativo de um famoso Galge ── mas foi uma derrota total em todas as tentativas.

EU queria a Mirai-chan de Maiô, poxa.

Senti pena. Apesar de não estar acostumada por ser o seu primeiro social Game, o cristal de suor e lágrimas que ela juntou com tanto esforço avançando no jogo se transformou completamente em bilhetes perdedores. Basicamente, a moeda de um social game é algo extremamente valioso, e a chance dos usuários que jogam de graça conseguirem isso é inevitavelmente limitada.

Se quiser rodar muito o Gacha, coloque dinheiro  ──── É claro que eu também entendo a situação do lado de quem vende, que, devido ao sistema de ser essencialmente gratuito, precisa lucrar de alguma forma para compensar o serviço. No entanto, o cara que inventou o sistema de Gacha primeiro é um demônio. Eu não conheço nenhum outro sistema demoníaco tão popular quanto este.

Cheguei a pensar em ensiná-la a técnica de Reroll, mas a minha parca consciência gritou que isso não era o certo.

Porque, pare pra pensar. É o primeiro jogo que ela joga. Você conseguiria apagar o progresso de um jogo que ela avançou com todo o esforço, mesmo sem entender muito bem, pelo motivo de “a personagem que eu queria não saiu”?

A Jupiter jogou um social game pela primeira vez, sabia? Como diabos eu conseguiria dizer uma frase tão cruel como “o seu primeiro progresso no jogo é um Lixo”?

KYOUICHIROU?

Tá tudo bem, Jupiter. O seu primeiro social game, eu absolutamente não vou deixar que se torne uma memória ruim!

Me levanto da cadeira apressadamente e me preparo para sair.

VOCÊ vai pra algum lugar?

Que nada, volto num instante. ...Quando eu voltar, vou deixar você rodar o Gacha um monte de vezes.

? EU não entendi muito bem, mas toma cuidado, tá?

────Ah, tá tudo bem. Não tem problema nenhum. Eu vou até a loja de conveniência e compro um cartão mágico que pode ser trocado pela moeda do jogo, só isso.

Não é nada demais, se for pra ver o sorriso dessa garota por apenas algumas dezenas de milhares de ienes, é muito barato, de verdade.

Jupiter, o social game  é uma coisa muito divertida. Não desista dele, tá bom?

Uhum. É o que o KYOUICHIROU tá dizendo, afinal. EU acredito.

Foi uma resposta muito boa.

 

────E assim o garoto corre pela cidade à noite.

O destino é a loja de conveniência. O que vai comprar é um Gift Card pago que pode ser usado na loja de aplicativos do smartphone.

Para proteger o sorriso da garota, Shimizu Kyouichirou saiu para comprar o cartão mágico!

Me espera.

No entanto, o garoto não sabe. Que, por mais que seja um santo, uma vez que aprenda o sabor das microtransações, ele se transformará em um materialista absurdo!

Me espera, Jupiter.

A natureza viciante dos social game é aterrorizante, e o que é pior: que, se ele ensinar como apostar em jogos para uma criança que não tem autocontrole, existe o perigo de que caiam numa situação incrivelmente perigosa!

Eu absolutamente vou proteger o seu sorrisoOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

Assim, a roda do destino começa a girar.

Falta apenas um breve momento até o nascimento de um absurdo materialista de Gacha que amará os social game acima de tudo!


 



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