■ Interlúdio: Chuva de Trovões Insanos (Extraído de 『Guerra dos Espíritos Dungeon Magia』, Grand Route CP47)

  

​■■■ Ano Imperial 1193Primavera: Cidade Dungeon de OukaDungeon Número Oitenta e Oito Mãe(Zen) de Toda(sei) a Vida(bo): Princesa da Luz Soberana Fate Witch

 

​Chove.

É uma chuva negra.

Clarões(Steropes). Relâmpagos(Arges). Trovões(Brontes).

Apesar de os elementos que a compunham serem inteiramente trovões, a palavra que me veio à mente foi chuva.

Afinal de contas, isso era, simplesmente────

São muitos...aço

​Cem? Mil? Não, dezenas(Ma) de milhares(is)?

Inúmeros Caminhos(By) de Poder(pa) Espiritual(ss) e Pontos de Erupção cobrindo o céu.

O poder espiritual negro que flui sem cessar dos vasos sanguíneos espirituais, espessos(D) como grandes barras(3) de  deformadas(8); e das saídas circulares, incontáveis raios negros processados são sucessivamente, continuamente────

Kyaha!

​────cuspidos para fora.

Gou, Gou, Gou, Gou.

Trovões sombrios assolando o céu do crepúsculo.

Uma paisagem infernal que ecoa nos cinco sentidos.

“Socorro”, alguém gritou.

O cheiro de matéria orgânica queimada não sai do meu nariz.

​Eu não podia fazer nada além de observar enquanto fumaça e chamas subiam dos arranha-céus, e as grandes árvores, que haviam perdido sua proteção divina, queimavam violentamente.

Mas que... visão patética...

​Enquanto varria os relâmpagos de miasma que caíam sobre a minha cabeça com uma torrente(Bryn) de(hi) luz(ldr), eu amaldiçoava forte e profundamente. O inimigo, e a mim mesma.

Como premissa, eu jamais perdoarei aquele desgraçado de merda dos trovões(crimi) negros(noso) que machuca as pessoas da cidade sem motivo. Farei com que o filho da puta que feriu as pessoas(frie) inocentes(nds) que eu amo pague por isso. Isso é um fato consumado. Mesmo que custe a minha vida, eu vou esmagá-lo.

​Mas, ao mesmo tempo, também nunca perdoarei a incompetente(Eu) que está deixando um terrorista escória desses correr solto no momento presente.

​Mas que papelão. O nome da Princesa da Luz Soberana chora de vergonha.

Por favor, Fate, proteja a nossa cidade

​As palavras daquele cara, do Tsurugi, cruzaram a minha mente.

Ele tinha dito. Que podia deixar nas minhas mãos porque era eu(Fate).

Eu também disse. Para ele deixar as coisas aqui comigo e seguir em frente.

​Mesmo que nós dois estivéssemos nos fazendo de fortes, nós batemos nossos punhos trêmulos e juramos proteger esta cidade────!

Kyahaha!

​Corri pelo meio da floresta amaldiçoando a minha própria impotência.

A estrada lamacenta. A paisagem do Jardim de Flores sendo pintada de um breu cheio de malícia. Queimando. Explodindo. A nossa floresta, que antes transbordava tanta vida e cores, sendo engolida por uma única malícia e...

Ah

​E quando cheguei ao meu antigo ninho, a sede de clã da Rosso(Espada de Gelo)&Blu(Flamejante), ela já não existia mais.

​Os dormitórios onde antes eu dividia o teto e a comida com meus companheiros.

O meu salão favorito, que eu frequentava assiduamente.

O campo de treinamento, as instalações de lazer, todos eles, absolutamente todos eles...

────!

​Estavam queimando. Estavam maculados. Reduzidos a cinzas, a poeira, despedaçados e pisoteados como lixo.

Cerrei os dentes.

Não chore. Não grite. Não lamente.

Porque eu não tenho tempo para bancar a heroína trágica aqui e agora.

Do céu, mais raios caíram.

O alvo era claramente eu.

A quantidade deles era cinco, dez, quinze, vinte...

────Não me subestime.

​Junto com uma declaração de intenção assassina, eu libero a Brionac.

A torrente de luz, que perfura a terra manchada de negro e abate os raios negros que caem dos céus batendo de frente com eles, exibe a sua habitual cor dourada.

Kyahahahahaha!

​Clarões de um negro azeviche e dourado desabrochando no céu.

A voz está perto.

Aquele guincho agudo e irritante do terrorista vai ficando mais alto a cada passo que eu dou para frente.

(Que tipo de alcance é esse, hein?)

​Atirar em toda a cidade de Ouka a partir desta posição, das bordas externas da Mãe de Toda a Vida, é um absurdo que ultrapassa todos os limites.

E, além disso, fazer isso enquanto────

Holy fuck!

​Raios de miasma atacando de todas as direções em trezentos e sessenta graus: de frente, de trás, da esquerda, da direita, do céu, da terra e do centro.

Esse lixo... está lidando comigo no tempo livre, apenas como um passatempo enquanto destrói a cidade!

Shut the fuck up!

​Evasão. Interceptação. Às vezes ativando a Revelação Divina para me defender, vou me desvencilhando da chuva de trovões negros enquanto poupo o máximo de força possível...

E então,

Kyahahahahahahahahahahahah!

​E então, eu...

Kyahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah!

​Finalmente, finalmente encontrei o filho da puta.

​​Néee, Oji-sama. Seu Oji-sama desagradável. Por acaso, SERÁ que NÓS não nos conhecemos de algum LUGAR? Quando eu olho para VOCÊ, estranhamente a minha cabeça começa a latejar, me dá náuseas e me deixa irritada.

​O filho da puta era uma mulher.

Cabelos longos prateados e olhos carmesim profundos.

Aos pés daquele demônio, que vestia um vestido gótico semelhante a uma roupa de luto, os meus conhecidos e benfeitores estavam caídos.

A desgraçada ria diabolicamente no centro do Jardim de Flores em chamas. Aquela coisa não estava nem aí para mim, apenas encarava ele e ela, prostrados no chão, como se estivesse observando insetos, e...

Sillard-san, Eliza-san!

​Ao meu chamado, o único a esboçar alguma reação foi ele.

A Eliza-san não se movia.

Afundada naquele mar de flores em chamas, sem dizer uma palavra, sem mover um músculo sequer.

Que ódio.

​──── Gushari.

​O pé daquela desgraçada pisoteou o rosto dela.

Eu não quero nem saber o que era aquela coisa vermelha que jorrou.

ISSO aconteceu na velocidade de um raio, sem me dar sequer a chance de reagir, e a cabeça da Eliza-san...

Você...

​Quando me dei conta, meu corpo inteiro já estava envolto pelo poder espiritual da Brionac, e...

SUA DESGRAÇADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

​Então, transformando a minha inesgotável intenção assassina em propulsão, eu disparei pelo jardim de flores em chamas.

Vou matar. Eu vou matá-la de qualquer jeito. Somente essa mulher, não importa o que custe, eu vou matá-la sem piedade.

Kyahaha! O que é ISSO, o que é ISSO, é MUITO divertido! Brilhando e piscando, parece uma estrelinha!

​A terrorista em roupas de luto zombava.

E, enquanto ria, ela lidava facilmente com as minhas investidas, os meus disparos em todas as direções, os meus clarões invisíveis e as minhas lâminas brilhantes.

E, mesmo a esta altura, o bombardeio à cidade continuava.

Os miasmas do abismo caíam através das dezenas de milhares de Caminhos de Poder Espiritual que se estendiam pelo céu.

Toxinas com a velocidade e o calor dos relâmpagos estavam poluindo a nossa cidade. Destruindo-a. Apagando-a.

É um monstro. Um monstro vestindo a pele de uma garota está bem aqui.

Qual é o seu objetivo?! Fazer algo assim não faz o seu coração doer?!

É simples. Simples e FÁCIL. ISSO é uma faxina para limpar o lixo. Vocês são o lixo, e EU sou a faxineira-SAN. O MEU compreendedor DISSE que essa cidade é uma monstruosidade. ENTÃO, EU PERGUNTEI para o papai. E aí, o papai falou. Que TUDO BEM. PRA eu me descontrolar do jeito que eu quiser. MATAR um monte, QUEBRAR um monte, e COM ISSO vamos reunir os choros do lixo e fazer um concerto, ele me DISSE!

​Feliz, com uma voz doce e derretida, ela tagarelava coisas sem SENTIDO────.

(Ela é louca.)

​Não é uma metáfora, nem um insulto.

Essa coisa é a própria loucura vestindo pele humana.

Uma existência que não deveria existir.

Por isso, ei, CHORE e grite com vontade. Exponha O seu estado patético e DIVIRTA A ESTA Jupiter. Essa É a única REDENÇÃO permitida a vocês, incompetentes E inúteis. Kyaha, kyahahahah, kyahahahahahahahahah!

​A terrorista ri no centro do mundo que desmorona.

Trovões explodem. A escuridão voa.

Desse jeito, sem brincadeira, Ouka vai acabar.

(Pense, pense. Um jeito de parar ESSA COISA sozinha.)

​Eu corro.

Corro pela escuridão.

Reunindo desesperadamente o meu espírito que parece prestes a quebrar, atravessando o Jardim de Flores tingido pelas cores das chamas e...

Brecha ABERTA!

​E então, o clarão de um raio negro perfurou o meu peito.










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